top of page

Empresa lituana recruta motoristas no Brasil em meio a greve na Europa

  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

A transportadora Gretvėja realizou entrevistas em São Paulo para contratar 200 motoristas, enquanto lida com a paralisação de um funcionário no porto de Rotterdam por atrasos salariais.



JOGO RÁPIDO :

A disputa global por profissionais de logística aterrissou no Brasil, mas o cenário europeu exige atenção. No primeiro fim de semana de março, a transportadora lituana Gretvėja conduziu uma rodada de entrevistas em São Paulo com a meta de contratar 200 motoristas. A iniciativa visa suprir o déficit de condutores na União Europeia. Contudo, a agressiva expansão de frota contrasta com denúncias de precariedade: simultaneamente ao recrutamento no Brasil, um motorista da companhia paralisou seu caminhão na Holanda exigindo o pagamento de meses de salários atrasados.


A escassez crônica de motoristas de veículos pesados no continente europeu abriu uma janela de oportunidade para os profissionais brasileiros das estradas. No primeiro fim de semana de março, a transportadora lituana Gretvėja, cuja sede operacional fica na cidade de Šiauliai, organizou uma rodada de entrevistas presenciais em São Paulo. O objetivo central da companhia é direto: recrutar 200 caminhoneiros capacitados no Brasil para assumir o volante em rotas logísticas que cruzam a União Europeia, prometendo salários em euros e suporte imigratório.


A escolha do Brasil como base para este recrutamento internacional tem fundamentos sólidos. O mercado logístico nacional forja profissionais habituados a lidar com longas distâncias, topografias desafiadoras e intensa rotina de viagens. Para as empresas europeias, que enfrentam o risco de manter frotas ociosas devido à falta de condutores locais, importar essa resiliência tornou-se uma medida essencial para garantir o fluxo contínuo e pontual de sua complexa cadeia de suprimentos transfronteiriça


Ao mesmo tempo, no porto holandês de Rotterdam, na região de Maasvlakte, há mais de uma semana um conjunto de veículos pertencente à Gretvėja está parado. Seu motorista, Parviz, do Tajiquistão, interrompeu o transporte, alegando a falta de pagamentos completos por vários meses. O profissional, que afirma viver na cabine do caminhão há dois anos sem ver a família, reivindica uma dívida acumulada de pelo menos 30 mil euros. Apoiado pelo sindicato holandês, ele utilizou o direito de retenção da carga como forma de protesto para forçar a regularização de seus direitos trabalhistas, bloqueando o veículo na praça de pedágio e estacionamento local.


O contraste entre a busca por novos talentos na América do Sul e a crise trabalhista na Europa expõe os desafios da logística globalizada. Enquanto a empresa nega publicamente as acusações de calote em Rotterdam, afirmando cumprir os contratos à risca, a agência responsável pelo recrutamento no Brasil destaca as vantagens financeiras da mudança. Durante a seletiva na capital paulista, os candidatos foram avaliados quanto à experiência prática e capacidade de adaptação às legislações de trânsito europeias e ao controle de jornada por tacógrafo.


"As diferenças salariais entre o Brasil e a Europa criam oportunidades de mobilidade que beneficiam ambos os lados. As empresas europeias podem atrair motoristas qualificados, enquanto os profissionais brasileiros ganham a chance de maiores ganhos e desenvolvimento de carreira", destacou a agência M/Brazil, responsável por organizar a captação dos 200 profissionais em solo paulista para a operação europeia. 


 O episódio da greve na Holanda todavia  serve como um lembrete crucial para os candidatos: a migração corporativa oferece ganhos em moeda forte, mas exige cautela redobrada quanto às condições contratuais e de alojamento. A globalização rodoviária comprova que o motorista é o elo mais disputado da cadeia de suprimentos, e seu valor deve ser garantido na prática, independentemente do continente em que a carga está rodando.


Do ponto de vista do mercado interno, essa atração internacional de talentos acende um alerta para as transportadoras brasileiras, que correm o risco de perder sua mão de obra mais experiente, especialmente em que quase 90% das transportadoras no país registram falta de caminhoneiros. 


LOGWEB -

Comentários


WZAP.png

© 2025 - CUBO MÁGICO INFO - A REVISTA EM MOVIMENTO - UMA VOLTA AO MUNDO DO TRANSPORTE DE CARGAS E DA LOGÍSTICA

bottom of page