ANTT amplia PPDS, mas caminhoneiros ainda enfrentam dificuldades
- crossbbrasil
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[EDIÇÃO ESPECIAL JAN 2026] - Rede de Pontos de Parada e Descanso cresce, mas falta infraestrutura
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apresentou um plano voltado à expansão dos Pontos de Parada e Descanso em rodovias federais sob concessão. De acordo com a autarquia, estão previstos 23 novos PPDs, com 5 inaugurações previstas para 2026 e 18 programadas para 2027.
No entanto, caminhoneiros e estudos especializados indicam que, apesar dos avanços numéricos, problemas de infraestrutura e segurança continuam impactando negativamente a experiência dos profissionais que percorrem longas distâncias nas estradas brasileiras. Um desses estudos foi publicado pela MDPI que é uma conceituada revista científica internacional sediada na Suíça.
Segundo a Agência iNFRA, a rede ampliada conta atualmente com oito PPDs em operação, todos implantados pelas concessionárias sob fiscalização da ANTT. A expectativa é de implantação de mais 23 unidades até 2027, sendo cinco previstas para entrarem em operação ao longo de 2026, sendo 5 com entrega programada para 2026 e 18 para 2027.Esses pontos oferecem serviços essenciais como estacionamento seguro, áreas de alimentação, banheiros, espaços para descanso e iluminação adequada para pernoite.
A expansão está alinhada às exigências da Lei nº 13.103/2015, conhecida como Lei do Motorista, que estabelece jornadas máximas de direção e define períodos obrigatórios de descanso para reduzir a fadiga e aumentar a segurança viária. A implantação dos PPDs faz parte das obrigações contratuais das concessionárias rodoviárias e é considerada uma resposta institucional à demanda crescente por melhores condições de descanso para a categoria.
Apesar dos números positivos, relatos e estudos sugerem que a qualidade dos serviços e a segurança nos pontos de parada ainda estão aquém do necessário. Um estudo publicado na revista científica International Journal of Environmental Research and Public Health aponta que motoristas de longa distância frequentemente classificam aspectos como segurança, higiene dos banheiros e condições de descanso como insatisfatórios ou apenas medianos, indicando que nem todos os serviços essenciais são plenamente oferecidos em todas as unidades existentes.
Complementando o cenário, a ANATC (Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas) destaca que, mesmo com a previsão de novos PPDs, apenas oito unidades estão em funcionamento atualmente, o que limita a cobertura efetiva em trechos estratégicos do país e ainda não atende à demanda total de caminhoneiros em trânsito.
Matérias especializadas como a do Blog do Caminhoneiro também relatam dados do Ministério dos Transportes apontando que o Brasil conta com 188 PPDs distribuídos em rodovias federais, atendendo a 141 cidades em 23 estados, oferecendo mais de 14 mil vagas de estacionamento para motoristas profissionais. No entanto, caminhoneiros relatam que a simples existência de vagas não garante segurança ou qualidade de descanso, com relatos de áreas pouco iluminadas, ausência de vigilância e serviços básicos insuficientes.
Além das questões físicas, pesquisadores e entidades do setor argumentam que a eficácia dos PPDs depende também da aplicação prática da legislação e da fiscalização contínua para manter os padrões exigidos, especialmente em rodovias não concedidas, onde a presença desses pontos ainda é muito limitada.
Assim, embora a ANTT e parceiros ampliem a oferta de PPDs no país, os desafios estruturais e de segurança relatados pelos caminhoneiros ainda persistem, exigindo mais investimentos, fiscalização e atenção às condições reais de uso dessas estruturas nas estradas brasileiras.
LIGAÇÕES EXTERNAS: AGÊNCIA INFRA - ANATC - MDPI – ANTT




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