Exportação e chuva elevam o frete de soja no país
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|ED.1 - MAR 26 |Novo Boletim da Conab revela expressiva alta nos fretes rodoviários devido ao clima e à safra.

JOGO RÁPIDO:
O Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento aponta encarecimento do transporte em diversas frotas pelo país.
O período chuvoso atrasou pontualmente a colheita, resultando em uma acirrada competição por frotas nas semanas seguintes.
Estados produtores relatam expressivas elevações de custos, com o frete subindo até cinquenta por cento no estado de Goiás.
Corredores como o Arco Norte e o Porto de Santos lideram o fluxo nacional
O escoamento da safra brasileira volta a pressionar em muito os custos das operações logísticas no primeiro trimestre do ano. De acordo com o mais recente Boletim Logístico publicado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a intensa movimentação voltada para a exportação de soja impulsionou uma expressiva elevação no preço dos fretes rodoviários ao longo de fevereiro e março. O diagnóstico técnico oficial evidencia que a matriz rodoviária nacional, severamente dependente de caminhões para transportar commodities rumo ao litoral, encontrou forte sobrecarga em função do alto volume produtivo somado aos percalços meteorológicos que atingiram as principais regiões de plantio neste ciclo.
O componente climático atua como um vetor de forte instabilidade nas previsões das empresas frotistas e das próprias tradings agrícolas. A ocorrência de chuvas contínuas e volumosas sobre as faixas de cultivo adiou o ingresso das colheitadeiras nos campos em diversas datas cruciais. A consequência direta dessa retenção provisória é a geração de uma intensa e súbita "corrida logística" assim que o clima se estabiliza.Com o acúmulo de mercadorias perecíveis prontas para despacho imediato em um intervalo operacional significativamente estreito, a demanda por veículos de tração pesada multiplica-se. Essa grande concorrência instantânea por espaço nas carrocerias anula a capacidade de negociação e dita reajustes compulsórios quase diários na tabela comercial dos transportadores rodoviários que operam nas rotas rurais.
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O levantamento estatístico da Conab quantifica o impacto dessa pressão nas praças estratégicas e documenta variações financeiras expressivas. No estado de Goiás, um dos grandes polos da agricultura de precisão brasileira, houve registros apontando elevações contratuais que atingiram um pico de até cinquenta por cento em comparação com períodos de menor demanda. Em Mato Grosso, estado que tradicionalmente figura como o principal celeiro de soja do território nacional, o encarecimento médio do custo de deslocamento ficou próximo da marca de dezenove por cento. Transportadores autônomos locais, que operam à margem dos vastos contratos fixos anuais, acabam ditando a tarifa spot de acordo com a urgência impositiva demonstrada pelos grandes e médios embarcadores.
Do ponto de vista estrutural e geográfico, a distribuição do escoamento evidencia a imensa dependência do mercado por corredores hiper focados. Os complexos portuários localizados na região do Arco Norte brasileiro, associados diretamente às gigantescas instalações do Porto de Santos no Sudeste do país, absorvem de maneira dominante a carga nacional. Esses terminais lideram as operações globais de transbordo e contabilizam a movimentação efetiva de mais de setenta por cento da soja e do milho despachados do Brasil para o mercado externo. A enorme concentração do fluxo afunila as rotas e concentra massivamente as frotas naquelas malhas asfálticas, o que pode reduzir temporariamente a disponibilidade geral de carretas granel para outras economias regionais menos densas.
Apesar da alta e de seus inegáveis reflexos nos balanços contábeis corporativos, o transporte ostenta fluxos reversos que garantem continuidade produtiva. No mesmo período analisado em que o frete da soja saltou, o Brasil utilizou os caminhões em operação de retorno para internalizar quase dois milhões e quatrocentas mil toneladas de adubos oriundos do mercado internacional.
Esse frete de retorno de fertilizantes assegura as margens técnicas imprescindíveis aos frotistas, ao mesmo tempo em que abastece as gigantescas fazendas para o próximo ciclo contínuo de semeadura. Analistas da companhia estatal preveem que o atual cenário de alta tarifa de contratação se manterá inalterado até que o pico natural das entregas sazonais nos portos marítimos perca fôlego comercial.
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