Os cinco grandes riscos para a economia mundial em 2022

Atualizado: 25 de jan.



O professor de Finanças Públicas angolano faz uma análise abrangente sobre a economia global durante este ano. Preocupações de uma economia altamente globalizada e interdependente.


Fonte: Daniel Sapateiro para Mercado, para Finance and Economy - ANGOLA


Economia: não se pode olhar para uma região sem olhar para o mundo

Entrámos no novo ano de 2022 com muita vontade de esquecer dois anos de pandemia da Covid 19 e com o que com esta doença trouxe de agravamento das condições de vida, do emprego, de saúde naturalmente, mas também para o mundo como vivemos hoje que era impensável em 2018: andar com máscara, com boletins de vacinação na carteira ou ao pescoço, usar sempre o álcool gel para desinfectar as mãos, mas também o encarecimento dos bens alimentares e não alimentares.

Seleccionei cinco grandes riscos previsíveis que alegadamente ocorrerão em 2022. 1- Quando os «gargalos» do abastecimento de matérias-primas, bens intermédios, incluindo semicondutores para a feitura de telemóveis e todas as tecnologias que usamos no nosso dia-adia, transportes de cargas ou sua carência e com isso gerando custos elevadíssimos no comércio internacional e uma das causas para o aumento galopante das taxas de inflação em Angola, nos Estados Unidos da América, na Zona Euro e assim por diante. Estes obstáculos são de facto elementos causadores de maiores níveis de pobreza, de aumento da fome, particularmente na África Subaariana, maior concentração da riqueza em pequeno número de indivíduos, desestabilizando sistemas de educação e de saúde muitos deles já débeis antes da pandemia da Covid-19.

Há sectores de actividade como montagem de automóveis, tecnologias de informação, indústria pesada e com recurso a matérias-primas que têm estado semi-parados por conta da escassez da oferta e isso acarreta triliões de prejuízos aos países e às empresas, arrastando para níveis muito perigosos o nível de desemprego e o desemprego de longa duração. 2- Quando terão os EUA e a Zona Euro controlo sobre as taxas de inflação, sendo que que em Outubro de 2021, os EUA atingiram os 6,2% e a Zona Euro os 4,9%, níveis de inflação de há 30 anos.

3- A Reserva Federal Americana (FED) vai continuar a aumentar as taxas directoras e com isso onerando e condicionando mais o acesso ao crédito e a quem tem crédito em curso? Será esta uma das vias que se pretende controlar o nível de preços e a «sede» de contrair empréstimos pelas famílias e pelas empresas não financeiras com o alegado abrir da economia mundial?

Seguirá o Banco Central Europeu a mesma linha orientador e programática em 2022, cumprindo e fazer cumprir o Acordo de Maastricht (Países Baixos) de ter uma inflação média acumulada anual até 2% e um deficit orçamental até 2% do PIB? Estes dois bancos centrais são «faróis» para muitos países e zonas de comércio, e igualmente para o Banco de Inglaterra, o bano central chinês, japonês, etc. Se as medidas são aumentar as suas taxas nominais transmitirão sinais para o resto do mundo e penso que ainda não é tempo de levantar esta ajuda por via da política das taxas de juro. O mundo ainda permanece numa situação pouco melhor do que estar na Unidade de Cuidados Intensivos e precisa de todo o apoio: fiscal, cambial, monetário e orçamental/investimento público.

Como se comportará o mercado de petróleos em Londres, Nova Iorque, Viena e Riade, sendo que são as quatro cidades mais importantes quando se fala de petróleo ou «ouro negro». É nas primeiras duas cidades onde estão os mercados à vista (spot) e mercado de futuros e as outras cidades, de Viena, onde se localiza a capital da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e Riade, a capital do Reino da Árabia Saudita, que é o país com maiores reservas do «ouro negro» no mundo e a empresa mais valiosa de todo o planeta, sejam em termos de activos como de resultado líquidos económicos.

A questão que não é simples, mas que todos queremos saber. Se o valor inscrito no OGE 2022 do petróleo e por barril de 59 USD é cumprido e, melhor, se o valor de venda é superior e com isso gerar superavit financeiro e fiscal, pois o nosso OGE está construído em grande parte no petróleo e na Dívida Pública que será necessária para financiar a Receita para 2022.

Crises informáticas, crise da Covid-19, crise das «guerras surdas» entre países e o cartel da OPEP com países consumidores, os grandes fornecedores de gás natural e o seu poder, crises climáticas, enfim, há muitos riscos envolvidos neste processo de formação de preços do petróleo, mas algo sabemos: os preços são estabelecidos internacionalmente e o que podemos e devemos fazer é produzir mais petróleo até aos limites impostos pela OPEP que Angola pertence e mais importante, diversificar a economia par que em 10 anos tenhamos uma inversão do «status» actual, em que a economia do sector petrolífero terá mais peso na formação do Produto Interno Bruto e com isso termos um país mais desenvolvido e melhor para se viver.

Por fim, a pandemia da Covid-19, que há dois anos a esta parte convive e faz parte do nosso meio de vida. Continuaremos a ter a proliferação das antigas e novas variantes do vírus SARS COV 2? Que novos nomes e capacidade de transmissão e danos na saúde dos seres humanos terão?

Estando os países a vacinar as suas populações com várias tomas de vacinas estaremos a acautelar a saúde e a possibilidade de convivermos com o vírus e regressando paulatinamente a um estado semelhante ao estado anterior a esta pandemia e com isso desagravar todo o processo de oferta e procura de bens e serviços, pois se há algo que faz lembrar as pessoas da Covid 19, além da máscaras e outras ferramentas e utensílios, é o agravar das condições de vida.