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Movimentação de contêiner em Santos pode saturar em 8 anos

Leilão do terminal tem briga entre órgãos de controle para impedir que armadores com terminais em Santos, como TIL, participem do leilão. Conflito divide opiniões.


Texto-base original BERNARDO GONZAGA, para Poder360


Porto de Santos pode atingir capacidade máxima de movimentação de contêiner em oito anos.

A movimentação de navios de contêiner no porto de Santos (SP) pode atingir seu limite em 8 anos, se não abrir novas áreas. A avaliação é de Patrício Júnior, 61 anos, diretor de investimentos em terminais da Terminal Investment Limited – a TIL, braço de terminais de contêiner do grupo MSC.


As primeiras consequências se o país chegar a essa situação seriam os aumentos dos preços dos produtos transportados e a perda de eficiência do transporte. Como solução, Patrício Júnior afirma que seria necessário a modernização dos portos do Norte e Nordeste e novas áreas para movimentação de contêiner em Santos.


“O crescimento de Santos mostra que em quase 8 anos o porto já vai estar sem capacidade na área de contêiner. Nós precisamos crescer, só que para isso tem que ter lugar para fazer o estoque dos contêineres e sem novas áreas, não vai fazer“, disse Patrício.


Uma das saídas ainda no porto de Santos para ampliar a capacidade de movimentação de contêiner é o arrendamento do super terminal STS10, que seria leiloado junto com o certame da autoridade portuária, que o atual ministro de Portos e Aeroportos, Márcio França, defende que não seja realizado.


O leilão do terminal enfrenta uma briga nos órgãos de controle para que donos de navios, chamados de armadores, que também possuem terminais em Santos, não possam participar do leilão, que é o caso da TIL.


O argumento da ABTP (Associação Brasileira de Terminais Portuários), que tenta tirar os grandes armadores do certame, é de que se eles ganharem uma grande área no maior porto do país, poderiam ampliar a prática de self-prefence: quando uma empresa de navegação utiliza apenas seus terminais portuários para movimentar suas cargas, o que provoca um esvaziamento dos outros terminais do porto.


“A capacidade do porto de Santos demanda ter nova área e novos investimentos. Nós só estamos solicitando que haja um leilão de uma área de concessão. Não estamos solicitando que ela seja dada para nós. Queremos que haja um leilão e quem tiver apetite comercial para poder fazer um ‘tender’ [proposta] e ganhar, que assim faça”, disse.


Patrício Júnior também disse que aguarda o plano de 100 dias do Ministério de Portos e Aeroportos para ver se sairá o leilão do STS10. “É importantíssimo porque o dinheiro existe e é uma coisa que o Brasil pode captar rapidamente”, afirmou.


Patrício tem 61 anos. É graduado em Ciências Náuticas pela Academia da Marinha Mercante do Brasil e em Gestão Portuária pela Universidade de São Paulo. Tem mais de 38 anos de experiência em diferentes posições de liderança no setor portuário, incluindo terminais de contêineres e companhias marítimas.


Na TIL, Patrício lidera 10 terminais operacionais da companhia. Também é presidente do Conselho de Administração da BTP, a Brasil Terminal Portuário, e da Portonave, ambas no Brasil.


Privatização & segurança jurídica - Patrício Júnior também diz que, mais importante do que a privatização do porto de Santos é a segurança jurídica que o país adota. “Se o governo acha que não deve privatizar, para nós não há diferença. Existe diferença quando faz um acordo, assina um pedaço de papel e ao longo do tempo esse acordo começa a ser alterado unilateralmente“, disse.


Patrício também disse que, entre as reformas estruturais que o Brasil precisa, a reforma tributária é a principal delas.“A gente precisa ter tantas [reformas], mas eu te diria que a segurança jurídica e essa reforma tributária visando a infraestrutura, o crescimento, a eficiência e a diminuição de custos é fundamental para que o Brasil decole cada vez mais”, disse.


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