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Embraer participa mais uma vez da International Paris Air Show Le Bourget Mundo

Atualizado: 28 de jun. de 2023

A empresa brasileira apresentou projetos e fechou acordos importantes, focados em meio ambiente. Ainda assim, investidores se decepcionaram com o desempenho e ações na B3 baixaram 15,25%.


Embraer : vários negócios na Paris Air Show

Leitura Rápida:

  • Brasil participa com delegação da AEB e do Parque Tecnológico de São José dos Campos

  • A Embraer anunciou que o Lanzhou Group se tornou o primeiro cliente da conversão P2F ( passageiro para cargueiro ) na China

  • Eve Air Mobility, empresa do grupo Embraer apresentou um mock-up da cabine do seu eVTOL e ofereceu uma experiência de realidade virtual aos visitantes.

  • A fabricante brasileira anunciou ainda acordo com a britânica GKN Aerospace para apoio mútuo para utilização de uma célula H2 para substituição de combustíveis fósseis utilizados em aeronaves

  • Todavia, resultados decepcionaram e ações tiveram queda

  • Airbus fecha maior contrato da história com companhia indiana IndiGo

  • Macron anuncia plano bilionário para descarbonizar aeronaves

  • Inovações tecnológicas marcam presença na feira, como drones, táxis voadores e microssatélites

  • Segurança do espaço aéreo ganha destaque diante de tensões geopolíticas

  • Rússia fica de fora por causa de sanções após invasão da Ucrânia

  • China ainda não exibe seu modelo COMAC C919, concorrente do A320neo e do Boeing 737 MAX


A 54ª edição da International Paris Air Show Le Bourget, a maior e mais antiga feira aeroespacial do mundo, foi encerrada no último dia 25 de junho, no Parque de Exposições de Paris Le Bourget, com a presença de 2.500 expositores e 140.000 visitantes profissionais do setor. Foi realizada pela primeira vez em 1909, no Grand Palais, perto dos Champs-Elysées.

Em 1953, o evento mudou-se para o Aeroporto de Paris-Le Bourget, onde acontece até hoje. Reúne fabricantes, militares e clientes de todo o mundo, que apresentam e negociam as últimas novidades e tecnologias do setor. A Paris Air Show é realizada a cada dois anos, nos anos ímpares, alternando com o Farnborough International Airshow e o Show Aéreo de Berlim

A feira deste ano foi inaugurada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, após ter anunciado na sexta-feira (16) um plano de 2,2 € bilhões para apoiar o desenvolvimento de tecnologias e reduzir a pegada de carbono das aeronaves. O pacote inclui o incentivo à produção e ao uso de combustíveis de aviação sustentáveis (SAF), que podem diminuir as emissões de CO₂ em até 80%. Macron defendeu um modelo econômico e social baseado na "inovação", na "estratégia industrial" e no "bom senso", para alcançar uma "sobriedade" ecológica "razoável", "transparente" e "não punitiva".

Participação do Brasil - O Brasil esteve presente com uma delegação da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Parque Tecnológico São José dos Campos, que integram o projeto setorial Aerospace Brazil. A iniciativa busca promover a indústria aeroespacial brasileira no mercado internacional e divulgar as oportunidades de negócios no país, como o Espaçoporto de Alcântara. A AEB recebeu a visita do Comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, acompanhado do Alto-Comando da FAB.


A Embraer também participou ativamente do evento. Mostramos aqui alguns dos acordos a reação do mercado em relação aos resultados obtidos.


Acordo para conversão de aeronaves - A Embraer anunciou em seu site que assinou durante uma “Carta de Acordo (LoA) com o Lanzhou AviationIndustryDevelopmentGroup para a conversão de 20 E-Jets para cargueiros. A partir do acordo assinado no Paris Air Show, a companhia brasileira e o Grupo Lanzhou irão cooperar no estabelecimento da capacidade de conversão do E190F e E195F em Lanzhou, na China, acelerando a introdução da primeira geração de cargueiros E-Jet no mercado chinês.


Acordo com a China para conversão de aeronaves de passageiros para cargas

A cooperação será um ponto de partida para ambas as empresas alavancarem seus pontos fortes, promoverem juntos o desenvolvimento da indústria de transporte aéreo de Lanzhou e acompanhar a economia na região do aeroporto. Com a assinatura do acordo, o Lanzhou Group se torna o primeiro cliente chinês da conversão passageiro para cargueiro (P₂F).

Energia limpa - Outro acordo anunciado pela companhia brasileira foi assinado com a GKN Aerospace, empresa britânica que fornece soluções integradas para o setor aeroespacial e colabora com avançados estudos sobre hidrogênio verde (h2) na Holanda, Suécia e Reino Unido. Juntas, vão utilizar seus conhecimentos e recursos para apoiar ativamente o desenvolvimento da inovadora tecnologia de célula de h2, bem como otimizar a integração de sistemas em plataforma aeronáutica, um dispositivo que converte a energia química do gás em eletricidade, gerando apenas água como subproduto. Essa tecnologia pode substituir os motores convencionais movidos a combustíveis fósseis, responsáveis por grande parte das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera.



O eVtol desenvolvido pela Eve Air Mobility

Já a Eve Air Mobility, empresa especializada em veículos aéreos elétricos e soluções de mobilidade sustentável, nasceu de um projeto dentro da Embraer-X, uma aceleradora de mercado dentro da própria Embraer, apresentou um mock-up da cabine do seu eVTOL e ofereceu uma experiência de realidade virtual aos visitantes. A Eve também anunciou que tem a maior carteira de pedidos do setor (2.770 unidades) para o seu eVTOL e que está avançando no desenvolvimento do seu software de gerenciamento de tráfego aéreo urbano (Urban ATM).


Decepção dos investidores - Esperava-se com otimismo a participação da Embraer no evento. Segundo o site InfoMoney, “o JP Morgan chegou a recomendar que investidores aumentassem suas posições em ações da companhia, destacando que as ações contam com uma valorização média histórica de 3% na semana do evento e já chegaram a subir até 30% nos 30 dias após o evento”.


Mesmo com as vendas batendo a casa de 1 bilhão de dólares, ao que tudo indica, o mercado não considerou um grande desempenho. Se na edição de 2019, na mesma feira, a empresa joseense fechou 74 pedidos e 28 na de Farnborough em 2021 o queda - que até pode ser debitada na conta da pandemia de Covid 19 - este o ano o número ficou aquém dos 20. Já no terceiro dia, tanto o próprio JP Morgan quanto a XP consideraram o início como "lento". Resumindo: entre 16 e 25 de junho as ações sofreram baixa 15,25%.


Não se deve esquecer, todavia, que a empresa tem perfil sólido e que qualidade de ser a terceira maior fabricante de aviões do mundo. Segundo ela própria avalia, a demanda por seus jatos regionais está se recuperando com a retomada das viagens aéreas em vários mercados. Ela prevê entregar entre 65 e 70 unidades de sua família E-Jet neste ano, um crescimento de cerca de 15% em relação às 57 entregas realizadas em 2022. Além disso, a empresa afirmou que sua carteira de pedidos firmes voltou ao patamar anterior à crise sanitária e cuja meta é alcançar 100 entregas comerciais por ano até 2026.


Outros destaques - Acordo fechado entre o fabricante europeu Airbus e a companhia aérea indiana de baixo custo IndiGo, prevê o fornecimento de 500 aeronaves A320neo, o modelo mais vendido da empresa. O contrato, avaliado em US$ 55 bilhões, é o maior da história da aviação civil com entregas previstas entre 2030 e 2035. A IndiGo é a líder do mercado indiano, que está em plena expansão e deve se tornar o terceiro maior do mundo em 2024.


Entre as inovações mais procuradas estavam os drones de todos os tamanhos, os táxis voadores, os microssatélites, os dirigíveis e os pequenos aviões elétricos Uma preocupação que permeou a feira foi a segurança do espaço aéreo que ganhou destaque diante das tensões geopolíticas que envolvem países como Rússia, China e Estados Unidos. A Rússia, aliás, ficou de fora da feira devido às sanções impostas após a invasão da Ucrânia em 2014. A China, por sua vez, ainda não exibe seu modelo COMAC C919, que pretende competir com o A320neo e o Boeing 737 MAX, os aviões de média distância mais utilizados no planeta.




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