top of page

Desburocratização permitirá mais agilidade no transporte rodoviário de cargas

Documento Eletrônico de Transporte (DT-e) possibilitará rapidez e mais sustentabilidade


Texto base original: Mercado e Consumo


Brasil perde quase 16% da safra de grãos, segundo estudo da Conab

A demanda por transporte rodoviário em 2022 foi recorde mesmo com um cenário de custos elevados. Embora a produção física industrial não tenha andado ao lado do Brasil, a safra de grãos no ano passado foi 4% acima de 2021 e, para 2023, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), espera-se um aumento de quase 12% na produção de granéis agrícolas.


O modal rodoviário ainda apresenta mais de 65% da movimentação de cargas nas malhas brasileiras, e a previsão é que continue nesse patamar até que os programas de novas infraestruturas de modais alternativos sejam realmente concretizados.


Danilo Guedes, presidente da ABC Cargas, empresa localizada em São Bernardo do Campo e com mais de 25 anos de experiência no setor, pondera as expectativas para esse ano: “Acredito que será um ano bastante promissor. Teremos algumas pautas a serem discutidas e decididas pelas lideranças governamentais e instituições privadas que podem nos ajudar, enquanto empresa, a continuar evoluindo”.


Um dos movimentos que vem sendo implantado aos poucos, mas que será integrado efetivamente a partir deste ano, é a nova regulamentação do Documento Eletrônico de Transporte (DT-e). A iniciativa do Governo Federal visa facilitar as operações de transporte de cargas, em qualquer modal, eliminando a impressão de documentos eletrônicos e diminuindo o tempo de parada dos motoristas.


Segundo dados do Governo Federal, os caminhões ficam cerca de seis horas parados em postos fiscais para comprovação de diversas documentações. Assim, o DT-e vem com toda a inovação e praticidade de que o setor necessita.


Apesar de o funcionamento estar em estágio inicial no processo de cadastramento prévio de geradoras de DT-e, Danilo reforça o poder que essa nova ferramenta pode trazer: “O DT-e será um documento importante para desburocratizar o setor e deixar em um único arquivo todas as informações cadastrais, contratuais, logísticas, sanitárias, entre outras, dispensando a apresentação (não a emissão) de uma série de registros separados”, descreve o executivo.


Ainda de acordo com o Governo Federal, a tecnologia criada digitalizará e unificará em uma única plataforma mais de 90 documentos necessários para o transporte rodoviário de cargas. Essa agilidade nos processos logísticos e documentais é o ponto de destaque que as empresas procuram para ajudar tanto na atualização de dados quanto na praticidade que trará aos motoristas e agentes envolvidos.


O executivo destaca a importância de se acompanhar a modernização e como isso tem efeito benéfico, inclusive em sua empresa: “Atualmente, grande parte da emissão de nossos documentos de transporte (CT-e e CRT) são feitos com nossos principais clientes por meio de um sistema de intercâmbio eletrônico de dados (electronic data interchange ou EDI). Foi um processo demorado e de convencimento, mas que trouxe resultados significativos para a nossa empresa. Um de nossos pilares é a inovação, e trabalhamos para que a tecnologia seja um meio e não um fim. Então, por meio dela, podemos dar agilidade às nossas emissões e aumentar a acuracidade nas informações, pois evitamos, por exemplo, o cadastramento manual”.


Sustentabilidade


Além da praticidade que a nova ferramenta pode atribuir ao setor, outro ganho importante será a sustentabilidade, visto que a tecnologia possibilitará a diminuição nas emissões de documentos físicos, retirando o porte obrigatório de papéis em mãos.


“O prazo para que o programa seja publicado é de 90 dias, e precisamos aguardar o cronograma da implementação. Porém, sempre defendi que deveríamos ter um documento único de porte obrigatório, substituindo os demais exigidos. Do ponto de vista ecológico, será muito mais sustentável, pois evita o desperdício de milhares de papéis impressos diariamente pelas transportadoras”, destaca o presidente da ABC Cargas.


As empresas acreditam que o DT-e será um grande passo para a modernização do setor, o que abrirá portas para novos investimentos e que permitirá um desenvolvimento ainda maior tanto das transportadoras quanto dos trabalhos realizados.


“Acredito que ter uma união institucional, defender bandeiras importantes para o setor, como desburocratização, maior segurança nas estradas, diminuição da insegurança jurídica, manutenção da desoneração da folha de pagamentos, entre outros, são pilares que podem fazer com que o segmento evolua constantemente”, encerra Guedes.


O total perdido projetado pela pesquisa equivale a 140 trilhões de calorias, valor 8 vezes maior que a demanda de brasileiros que passam fome em um ano.

A perda total da safra de grãos no Brasil foi estimada em 15,7% para o ano de 2020, segundo estudo recém-publicado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esta perda projetada na safra de grãos alcançou o valor de 36,7 milhões de um total produzido de 244,8 milhões de toneladas.


O estudo da instituição contabilizou as safras totais de arroz, cevada, milho, soja e trigo naquele ano. O documento relata uma análise detalhada sobre as perdas de grãos no mundo e no Brasil ocorridas em todas as etapas da cadeia produtiva, desde a lavoura à mesa do consumidor. E ressalta ainda a necessidade de que, neste momento e para as próximas décadas, a humanidade volte seus esforços para a questão das perdas e desperdícios de alimentos.


O valor projetado de 36,7 milhões de toneladas equivale a perdas de R$84,8 bilhões, o que equivale, ainda segundo a Conab, a 134,8 milhões de cestas básicas. Para chegar a este número, foram utilizados os parâmetros do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).


PERDA DE CALORIAS - Outro número decorrente deste desperdício de milhões de toneladas na safra é que o valor se equipara a 139,3 trilhões de calorias, ou seja, uma demanda energética oito vezes maior que toda população brasileira que estava exposta à fome no referido ano. Vale ressaltar que estas calorias atenderiam a demanda energética de 152,6 milhões de pessoas, durante 365 dias.


Conforme o estudo, ao considerar o arroz, a cevada, o milho, a soja e o trigo, que representaram juntos mais de 90% da produção mundial de grãos nos últimos 21 anos, somente 10 países foram responsáveis por 69,7% do que foi produzido. Desses, quatro responderam por mais de 50% dessa produção, tendo o Brasil ocupado a quarta posição, atrás dos Estados Unidos, da China e da Índia.


Responsáveis pelo levantamento, os técnicos da Conab, Paulo Cláudio Machado Júnior e Marília Mergulhão de Freitas recomendam uma melhor análise do problema do desperdício de grãos. “Quanto mais no Brasil, por sua expressão na produção mundial de grãos em contrapartida às suas dificuldades de logística na armazenagem e transporte, com fins de se buscar um diagnóstico preciso do problema, visando à criação de políticas públicas e adoção de ações que realmente sejam efetivas quanto à minimização e/ou mitigação de tal questão”, explicaram em nota conjunta.


Comments


bottom of page