Caminhão autônomo ganha vapor. Sinal amarelo. Entenda o porquê.

Atualizado: 14 de jan.

Volvo Group anunciou uma parceria com a Aurora Innovation para desenvolver um caminhão autônomo que possa operar um serviço de frete autônomo hub-to-hub nos EUA. A previsão inicial é a de que o projeto leve vários anos para ser concluído, mas claramente os parceiros avançar o mais rápido possível.


Fonte: Trucks, por Jerry Hirsch | Contém adaptações |

Empresas americanas parecem acreditar que transporte autônomo está próximo.

“O Grupo Volvo vê a automação como um facilitador fundamental para o futuro e está investindo fortemente no desenvolvimento de veículos comerciais habilitados para autonomia. E não apenas os veículos, mas soluções de transporte que os tornam possíveis, além de novos modelos de negócios que os tornam comercialmente atraentes”, disse Nils Jaeger, presidente da Volvo Autonomous Solutions.


As empresas vislumbram um serviço inicial onde o ser humano conduzirá uma carga para um hub adjacente à rodovia. Um trator autônomo então a transportaria para um centro distante, onde um operador assumirá o caminho para o seu destino. Isso evita as complexidades da condução automatizada em áreas congestionadas. Embora ainda incrivelmente complexo, a condução rodoviária está entre os desafios mais descomplicados para veículos autônomos.

Ainda assim, há uma grande que a Volvo enfrentará. O serviço colocará a fabricante de caminhões em concorrência direta com as transportadoras, seus maiores clientes, pois é disso o que se trata. O novo modelo de negócios também traz à tona uma questão interessante. A tecnologia autônoma eventualmente permitirá que os fabricantes de caminhões suplantem as empresas de transporte rodoviário de cargas?


O valor agregado de uma transportadora é expertise em encontrar motoristas, conhecer rotas e ter a habilidade de agilizar entregas, mesmo em condições climáticas brutais ou de tráfego. Mas o transporte robótico tem o potencial de fazer tudo isso com inteligência artificial. Esses serviços ainda precisarão de humanos para monitorar cargas, observar roubos e realizar outras tarefas.


Claro, há muita água para passar debaixo dessa ponte, mas o sinal amarelo já está aceso e isso não vale apenas para os norte-americanos. É preciso, mesmo a título de exercício, que as empresas atuais comecem a pensar sobre onde e como se encaixarão na equação à medida que os fabricantes de caminhões comecem eventualmente a oferecer serviços coincidentes com os seus.


A necessidade de atenção sobre isso não é infundada. Em outro acordo, a desenvolvedora de caminhões autônomo Plus adicionou US$ 220 milhões em novos financiamentos. Isso aconteceu em uma rodada ocorrida final de março coliderada pela FountainVest Partners e pela ClearVue Partners. Essa foi uma extensão da rodada de US$ 200 milhões em fevereiro liderada pela CPE e Guotai Junan International.


“A Plus é a única empresa autônoma de caminhões a iniciar a produção em massa de seu sistema de condução autônoma este ano. Esse investimento ajudará a impulsionar os planos de trazer nossos caminhões automatizados ao mercado”, disse David Liu, o executivo-chefe e cofundador da empresa em Cupertino, Califórnia.


Além disso, está em fase final de receber certificação chinesa para o seu sistema PlusDrive. O sistema de condução automatizada entrará em produção em um caminhão desenvolvido em conjunto com a FAW, uma fabricante chinesa, ainda este ano.


“A condução autônoma vai revolucionar o mundo, entre aplicativos de consumo e comerciais”, disse Li KathleenYing, sócio da Plus-investor ClearVue.

Outros fabricantes também estão despejando dinheiro na área. A Daimler Trucks desenvolveatualmente seu próprio freightliner autônomo e também está trabalhando com a Waymo. A startup de tecnologia autônoma TuSimple tem negócios com a Divisão de Caminhões da Navistar e da Volkswagen. A Aurora também tem uma parceria com a Paccar, dona das marcas Kenworth e Peterbilt.


A partir do acordo com a Volvo, a Aurora agora trabalha com fabricantes que produzem quase 50% do mercado de caminhões classe 8 nos EUA.Todas essas empresas estão apostando que o transporte autônomo está próximo de alguma forma. A maioria o vê começando em rodovias mapeadas no Sudoeste, onde há boas estradas e menos problemas climáticos.


O sistema hub-to-hub é o ponto de partida. A Aurora também quer chegar ao depósito de transporte robótico. Ainda assim, há muitos outros obstáculos, e alguns dos maiores nada têm a ver com tecnologia.


Primeiro, há a questão de como as pessoas reagirão quando virem que estão dirigindo na rodovia ao lado de um caminhão de 36 toneladas sem motorista dentro. Muitos motoristas odeiam estar ao lado ou atrás de um caminhão dirigido por humanos. Elas entrarão em pânico? Começarão a a exigir legislação e regulação que dificulte as operações autônomas?

E depois há a questão dos acidentes.


O Conselho Nacional de Segurança [USA] estima que 42.060 pessoas morreram em acidentes de veículos em 2020, 8% a mais do que em 2019, embora se tenha dirigido menos quilômetros por causa da pandemia. A Administração Nacional de Segurança no Trânsito disse que 94%das colisões são causadas por erro humano.


A condução autônoma tem o potencial de reduzir significativamente os acidentes. Os dados de seguro que rastreiam danos e reclamações médicas já provam que veículos leves com frenagem automática de emergência são muito menos propensos a ter seu motorista como culpado em uma colisão. Mas que tipo de taxa de erro o público aceitará? É provável que as pessoas aceitem muito mais os humanos que continuam a matar humanos do que robôs matando humanos, mesmo que seja em uma taxa dramaticamente menor.