Agro de São Paulo foi mais forte do que todas as crises, diz FAESP

Atualizado: 24 de jan.

Somente de janeiro a setembro o agronegócio cresceu 13,1% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAESP).


Eliza Maliszewski para AGROLINK

São Paulo cumpre sua tradição de grande potência (também) no agronegócio.

São Paulo está se revelando uma potência do agronegócio nacional. O estado conhecido pelo café e cana-de-açúcar evolui em grãos como amendoim, soja e milho, na pecuária e citros e encontra espaço também em novas frentes como o algodão. Nas exportações foram US$ 15,87 bilhões, significando aumento de 10% na comparação com o mesmo período de 2020. As importações cresceram 10,4%, somando US$ 3,72 bilhões. O superávit setorial, portanto, foi de 12,15 bilhões, montante 9,9% maior do que o registrado nos dez primeiros meses de 2020. O mês de outubro de 2021 apresentou, isoladamente, saldo positivo de US$ 1,06 bilhão. De janeiro a outubro, o agronegócio representou 36,3% do total exportado e 6,7% das importações totais do Estado.

“Os dados sobre produção e comércio exterior, os mais atualizados do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, demonstram com absoluta clareza a importância do agronegócio para a economia paulista, a segurança alimentar, o abastecimento de biocombustíveis e o suprimento de commodities. Aliás, os produtores rurais de nosso Estado também têm participação relevante, de cerca de 20%, no total nacional do setor”, destacou Fábio de Salles Meirelles, presidente da FAESP. Ainda segundo os dados divulgados em dezembro pelo IEA, dentre os principais grupos de produtos exportados pelo agro paulista, o complexo sucroalcooleiro continua sendo o mais representativo, com US$ 5,42 bilhões (34% do total do setor), seguido pela soja (US$ 2,31 bilhões) e carnes (US$ 2,18). O grupo de sucos (US$1,34 bilhão) e os produtos florestais (US$1,33 bilhão) fecham a lista dos cinco maiores, cujo agregado correspondeu a 79,2% do total exportado pelo agro paulista de janeiro a outubro. Quanto às variações observadas, o complexo soja, com 21,5%, sucos (18,4%) e carnes (16,6%) apresentaram maiores aumentos nas vendas externas. Para o ciclo 21/22 a previsão de recuperação da safra de São Paulo mantém-se. É estimado crescimento de 3,9% na área plantada, totalizando 2,49 milhões de hectares. O ganho de 13,9% em produtividade, estimada em 4.113 kg/ha, deve contribuir para o incremento de 18,3% na produção, avaliada neste último levantamento em 10,25 milhões de toneladas. Os cultivos de primeira safra seguem avançando. As lavouras de amendoim, arroz, feijão e soja já foram semeadas, e mais da metade das de algodão estão implantadas. A área em cultivo de algodão no estado é estimada em 5,4 mil hectares, apontando para um aumento de 14,9% em comparação à safra anterior. A produção de caroço é avaliada em 13,3 mil toneladas, contra as 11,4 mil toneladas do último ciclo (+16,7%). Nesta temporada, a área cultivada com amendoim primeira safra deverá ser 12% superior à da última temporada, totalizando 168 mil hectares. Com isso, o mesmo incremento é esperado para a produção, que deve somar 621,6 mil toneladas. Para o milho, a expectativa é de que sejam produzidas 1,84 milhão de toneladas, enquanto para o feijão, 110,2 mil toneladas. Por outro lado, a previsão de colheita para a soja é ainda mais positiva que na última temporada. A safra 2021/22 deve alcançar 4,49 milhões de toneladas de soja, contra as 4,29 milhões de toneladas recordes do ciclo passado, indicando aumento de 4,6% frente aos resultados anteriores. Os dados mais atualizados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostram que o PIB do agronegócio de São Paulo avançou 8,27% em 2020, em plena pandemia. “Trata-se do maior crescimento desde 2010, quando o aumento foi de 12,17%”, ressalta Meirelles. Com isso, no ano passado, o agronegócio paulista representou 14% do PIB do estado, sendo esta a maior participação da série histórica, iniciada em 2008. Tal fomento abrangeu a pecuária e a agricultura. “São mais números consistentes reiterando a força, competência e capacidade de superação dos nossos produtores rurais”, acentua. O Estado de São Paulo tem um moderno sistema agroindustrial, sendo o maior do Brasil e um dos mais expressivos do mundo. Possui um território de 24,8 milhões de hectares de clima tropical, solo fértil e água abundante, no qual 8,8 milhões (35,55%) são utilizados pela agricultura e 4,6 milhões (18,6%) por pastos.

O capital humano altamente qualificado faz com que o Estado concentre 50% das agritechs, startups ligadas ao agronegócio - brasileiras. A tecnologia desenvolvida no estado permite que sua produção rural tenha alto desempenho em diversas culturas agrícolas. Alguns indicadores reforçam o significado da relevância do agro de São Paulo: responsável por cerca de 47% da produção brasileira, o Estado é o maior produtor mundial de etanol de cana-de-açúcar. O interior paulista é o maior produtor mundial de suco de laranja, respondendo por mais da metade do total mundial. De cada 10 copos consumidos no planeta, cerca de seis são de origem paulista.